As diferenças de género e a Liberdade, Celso Paiva

De que falamos, ao referir-nos à questão de “Género” ?

Se não me engano, foram de João de Deus palavras cujo sentido geral era, mais ou menos o seguinte: – “enquanto num País existir um analfabeto, toda a Universidade é um Luxo!”Ainda hoje a realidade mantém essa afirmação como um enorme exagero, porem, exagero será igualmente considerar que uma sociedade de “doutorados” é uma sociedade de sábios.
Sábios socialmente estéreis, são todos os que guardam somente para si ou para exibir entre iguais, os seus saberes. C.M

Diferença de género não é a mesma coisa que diferença de sexo.  Esta última é a distinção entre macho e fêmea, que diz respeito a diferentes funções no processo de reprodução. Já as diferenças de género têm que ver com aquilo que cada sociedade inventa, cria, sobre o que deve ser o papel do homem e o papel da mulher, suas maneiras distintas de estar e ser, dentro de uma comunidade. Ideias pré-concebidas pelas Sociedades que atribuem determinadas características mais a mulheres do que a homens e, consequentemente, as atiram para determinadas tarefas julgadas pelos homens mais adequadas ás mulheres.

À excepção das restritas e específicas questões  dependentes do sexo, em todas as outras situações da vida, – pratica-se a“igualdade de género”, ou impõem-se os estereótipos?

Desses estereótipos criados ao longo dos tempos pelas sociedades, têm resultado grandes diferenças de género, em desfavor da mulher.

Igualdade de direitos. Homens e mulheres devem ter igualdade de direitos para que possa existir a dita igualdade de género. Porém importa ter em consideração que a perfeita igualdade é um mito.!

Por exemplo; pegando no direito de acesso à educação. Sabemos bem que, até há umas décadas, esse acesso não existia da mesma forma para raparigas e rapazes. E mais. Nos dias que correm, mesmo com acesso igual para ambos os sexos, muito raramente estaremos perante a tal “perfeita igualdade”.

Imaginemos um grupo de 200 crianças, rapazes e raparigas, todos em idade de ingressar na escola e todos, aparentemente,  em igualdade de direitos. No meio desse grupo, todos são diferentes. Na verdade, esses meninos estão em igualdade de direitos, mas em desigualdade de condições para poder usufruir deles, ( diferentes capacidades de visão, de audição, de concentração, de gostos e interesses, de acesso a informação etc etc.). Igualdade de direitos, ou igualdade de oportunidades,  que devemos defender. ?

As palavras, umas mais que outras, devem definir com clareza aquilo que pensamos, mas, por vezes, as que usamos não são as mais esclarecedoras. A palavra “igualdade” é enganadora, já que em absoluto nada é igual.  Há uma palavra parecida, que pondera melhor a relatividade das diferenças dentro de cada pretensa igualdade, referimo-nos a palavra – “equidade”. Tratando-se de equiparações de género, e considerando que cada caso é um caso definido pela especificidade duma relação marcada ou não pela aplicação de estereótipos, talvez fosse mais adequado falar de equidade de género.

Celso Paiva
Martinho do Porto –Junho 2018

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