Flagrantes delitos à Liberdade – o caso do Brasil, Amândio Silva

Flagrantes delitos à Liberdade estão visíveis, sentimo-los na pele em quase todo o mundo, mesmo nas democracias mais tradicionais, pejadas de antidemocratas que as minam metodicamente, sempre a favor do capital e contra os trabalhadores e os setores empobrecidos das classes médias. O resultado tem sido uma restrição de direitos, tanto na área económica, ao impor a “normalidade” de cada vez mais horas de trabalho com menor remuneração, como, e não menos importante, no condicionamento do saber e do pensar. Pois todos sabemos que a luta pela sobrevivência diminui ou mesmo impede o exercício da cidadania, aumentam do a massa com menos conhecimento, menos saúde, sem tempo livre, muito mais propensa a aceitar e a conviver com uma caricatura de democracia, onde até o voto é manipulado por uma comunicação social conivente, muitas vezes comprada. Perante a subversão do conceito de “um governo pelo povo e para o povo”, assistimos a uma prepotente circulação do poder entre as “elites”.

Poderíamos suscitar o debate sobre flagrantes delitos à Liberdade em países como a Guiné Equatorial, da asquerosa dinastia Obiang, o que torna absoluta mente inaceitável sua admissão na CPLP, um desrespeito sem volta ao ideal de sua criação. desde Agostinho da Silva até José Aparecido de Oliveira, sobre os desmandos do Sr. Duterte nas Filipinas ou os genocídios do Sr. Assad na Sìria, entre tantas outras atrocidades.

Optámos, contudo, por trazer a debate o caso do Brasil. Porque nos é mais próximo, porque é uma das maiores economias do mundo, porque é um caso exemplar de como o capitalismo financeiro internacional, com a cumplicidade de seus aliados nacionais, montou um esquema de “privatizar” a sua riqueza, não só a do subsolo – onde sobressai a enorme reserva de petróleo e gás do Pré-Sal – mas também a social.

E principalmente, porque o desmantelamento da economia e o regresso a uma moldura de fornecedor de matéria prima, com um crescente atraso de acesso ao progresso industrial e à tecnologia de ponta, não é só calamitoso para um povo fraudado na sua legítima aspiração em viver numa nação justa e com todas as condições de ser próspera, como retira ao Brasil o protagonismo de que gozava alguns anos atrás no cenário internacional, onde é hoje um país desacreditado, irrelevante.

O descarado propósito do insólito governo Temer de congelamento por duas décadas das despesas com educação e saúde configura uma crueldade, própria da “elite” escravocrata, racista, predadora, que se aproveita do moralismo da Ope ração Lava Jato para descarregar sua vingança contra a massa popular que, de forma efémera e em pequena percentagem usufruíu de algumas regalias, tais como: ter casa, carro, concluir cursos universitários e, veja-se audácia, andar de avião. É a conceção da “elite” brasileira e dos setores mais reacionários da classe média : “Essa gentalha, negra, mestiça, até branca, desqualificada, tem de voltar ao seu lugar”.

É neste cenário que lançamos o debate sobre o Brasil de hoje, com a proposta de alguns tópicos:

– O pacto antipopular das “elites” económica, política e financeira com a classe média alta;

– A ânsia de privatização dos grandes bens públicos como a Amazónia, a Eletrobrás, a Petrobrás, a Água e a desnacionalização da Embraer;

– A captura da opinião pública na sequência dos efeitos anestesiante e manipula dor da grande imprensa, com especial destaque para o Grupo Globo, que se verifica agora de modo agudo, mas tem sido uma constante na História contemporânea do Brasil;

– A privatização do próprio Estado, manietado e capturado por interesses económicos e de especulação financeira;

– A classificação pejorativa de demagogia e/ou populismo de todas as reações ao modelo “moderado”, neo-liberal, prenhe de autoritarismo, imposto pela média, ao serviço da conjura de assalto à riqueza do país;

– Haverá saída democrática no quadro atual de uma progressiva pré-ditadura de modelo militar ou mitigado que seja suportado pela força militar?

O povo brasileiro precisa da nossa solidariedade!

Que o saibamos demonstrar neste Fórum “Liberdade e Pensamento Crítico”

Amândio Silva, junho 2018

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