Liberdade e emprego…, Dr. Zé de Castro

A maior dúvida:
 Os “Druidas” do nosso tempo, alinham variadíssimos argumentos em favor da  possibilidade de se alcançar e manter, no futuro, uma situação de pleno emprego. Apesar de todas as alterações provocadas no mundo do trabalho pelas mudanças científicas e tecnologias introduzidas nos processos produtivos.

Segundo os defensores desta tese, o pleno emprego é possível, graças:

a) à necessidade de responder a uma latente, justa e progressiva exigência de melhores e mais abrangentes serviços de apoio pessoal e social que criará trabalho remunerado capaz de contribuir significativamente para absorver os níveis de exclusão da intervenção humana nos processos produtivos pela evolução tecnológica.

b) aos grandes aumentos quantitativos de produção, viabilizados pelos investimentos em capital fixo (sejam eles automatização, coordenação automática, robotização – impressão 3D em série, inteligência artificial etc.) que gerarão, a montante, a jusante e colateralmente; graças à maior intensidade e volume da concepção – produção e logística total, mais postos de trabalho; contribuindo igualmente para a situação de pleno emprego.

Mesmo considerando positivamente, por um lado a argumentação atrás mencionada, e pelo outro, os indicadores mundiais dos últimos anos em relação ao aumento constante do desemprego, a minha dúvida persiste.

Admitindo que pudesse resultar globalmente desta transição um relativo equilíbrio social, em meu entender, seria sempre um equilíbrio de uma relatividade precária, muito distante do pleno emprego, uma relatividade do tipo da presente, na melhor das hipóteses.

Os contraditórios interesses dos investidores, de baixar ou eliminar salários e obter o maior lucro possível, dos seus investimentos em capital fixo, exigem maiorias significativas de desempregados capazes de  auto regular por baixo os salários, e manter alguma capacidade de consumo dos grandes volumes de produção, graças ao apoio limitado de políticas paliativas dos “estados sociais”, o que criaria uma situação igualmente longíncua do pleno emprego, muito semelhante  à actual; apesar de tudo, socialmente suportável pelas grandes maiorias de desempregados, mantidas relativamente solventes por via de políticas “caridosas” paliativas capazes de garantir a  sua vital capacidade de aquisição e consumo.

Vital para os investidores dos grandes excedentes maquino-facturados acumulados graças aos “ganhos de produtividade” obtidos com as introduções cientifico – tecnológicas instaladas e suas consequências.

Convictamente… sem o desaparecimento da lógica capitalista, não consigo acreditar nos “Druidas do nosso tempo” que nos acenam com a possibilidade de alcançar o pleno emprego.

Até lá,a prática do “pensamento crítico” diz-me que o pleno emprego é uma vã promessa do capitalismo, que nos acena com o céu, para melhor suportarmos o inferno.

Uma situação estável de pleno emprego é incompatível com o domínio do Capital sob o trabalho! E só serà possível no dia que os trabalhadores possam impor os seus interesses aos donos do capital.

Dr. Zé de Castro
Janeiro 2018

*Obs.dos dicionários:”druidas”
Pessoas encarregadas das tarefas de aconselhamento e ensino e de orientações jurídicas e filosóficas dentro da Sociedade Celta

 

 

 

 

 

 

 

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