Revolta e Revolução, Hélder Costa, Isabel do Carmo

Todos conhecemos a icónica frase de Marx: não basta conhecer, perceber o mundo; é preciso lutar para o transformar.
Muitos milhões têm tentado transformar o mundo.
E multiplicaram –se as tácticas e as estratégias. Numa leve síntese a partir do século XIX tivemos o Blanquismo e Anarquismo muito assente em atentados individuais, as barricadas, a greve geral, os revolucionários profissionais (partidos clandestinos), a longa luta camponesa, o golpe militar, a teoria do foco…

Tudo começa pelas revoltas esporádicas que nunca chegam à Revolução. Mas não há Revolução se não existirem Revoltas.

Como é que elas se criam? Podemos começar pelo bom senso e pela necessidade criando a indignação; e pela educação e instrução cultural e política.

Estas têm sido as experiências de muitos de nós.

Que, também já sabemos, são normalmente ações da juventude.

Basta ver as idades dos que conseguiram (ou tentaram) a tal transformação do mundo.

Hélder Costa

 

O ser humano será um homo revoltosus? Ou um ser que se acomoda às situações e respeita as hierarquias sociais como outros animais que o antecederam? Ou será  que o ser humano vai acumulando situações de opressão e humilhação e um dia, quando menos se espera, explode? A História parece dar-nos essa ideia. Quantas terão sido as revoltas dos escravos, para além das que nos conta a Bíblia sobre a dos hebreus no Egipto e a do Spartacus! Entre os milhões de escravos do tráfego atlântico, em que Portugal esteve à cabeça, devem ter havido muitas revoltas e rebeliões. E os cátaros contra a Igreja Católica. E as revoltas dentro da Igreja antes da Reforma. E os hereges do judaísmo como Spinoza. E os clubes que antecederam a Revolução Francesa. E o século XIX de luta de classe contra classe nos EUA. Poderíamos escrever a História Universal das Revoltas.

Estas precedem as Revoluções e é só dessas que se ouve falar. E actualmente? Há condições de revolta contra os pequenos e grandes imperadores da Ásia e de África. E nas nossas sociedades mais modernas nas quais as pessoas trabalham 9,10,12 horas por dia em contratos de oito horas. Sociedades em que muitas pessoas morrem sem nunca terem a possibilidade de ter sido felizes. Talvez haja nestas sociedades uma resistência oculta e sabotadora como a das mulheres nas sociedades paternalistas.

Haverá um dia revolta? E revolução? Qual?

Isabel do Carmo

Junho 2018

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