Dignidade e Cidadania…em crise, São Esperança Ferreira

13 e 14 de Março de 2015, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa

Dignidade e Cidadania…em crise / 

O tempo que vivemos, estava de há muito anunciado.

Não se sabia exactamente qual seria o cenário da sua implantação, mas sabia-se, isso sim, que um dia, a ” Linha vermelha” do equilíbrio entre:    por um lado,    os trabalhadores activos e consumidores solventes  e, por outro lado,  os  desempregados e consumidores insolventes e famintos,     seria alcançada !…  e, que aí chegados, a essa espécie de equador da evolução da humanidade, a ultrapassagem dessa linha, desse equilibro,   seria extremamente turbulenta e de resultados incertos. Não apenas para nós portugueses, mas para toda a Humanidade.

Na presente situação,    há sinais claros de estarmos atravessando essa zona de intensa turbulência social, política e civilizacional, sem saber como sair dela.

Mas…quase sempre assim foi…. Espera-se demasiado tempo para nos metermos ao caminho! Por não saber onde ele se encontra.

Quando não sabemos para onde ir, é difícil encontrar o caminho para lá chegar. Porém, caminhando juntos, havemos de o encontrar …por isso, aqui estamos.!

Sabemos,   muitos de nós sabem,na prática,o que significa a tão apregoada situação de crise.

Mas bem poucos os que realmente conhecemos e temos consciência

dos seus progenitores, e até há quem acredite que todos, somos, de alguma maneira, responsáveis pelo seu aparecimento. A partir daí, como todos somos um pouco responsáveis, ninguém é culpado. É uma fatalidade, uma calamidade natural!

A dita crise, passa a ser assim uma espécie de filha de Pais incógnitos!

Não podemos, nem devemos, aceitar esse encobrimento.  Até para melhor poder procurar o caminho para dela sair, temos de identificar quem a gerou.

A família de quem é descendente, já lhe deu muitos nomes,tentando esconder a sua paternidade, tentando fugir  às consequências eleitorais dessa paternidade.

Até agora, tem sido bem sucedida. Votamos quase sempre nos mesmos! Daqui para o futuro…veremos! É de importância decisiva proclamar, sem margem para dúvidas, que a Crise é neta muito querida  do capitalismo, e filha muito amada dum casal chamado Produtivismo /  consumismo.

 

É da  disfunção deste sistema, “do produzir para vender”, que nasce a necessidade de ser competitivo, nasce a competitividade sem limites,    causa de guerras passadas e presentes, e atenuante social de todas as indignidades privadas e públicas.

Produzir para:- “ vender e comprar”.

Produzir para animar os mercados, porque vender e comprar é que desenvolve a economia, (é o que nos dizem) mesmo que aquilo que se compra sirva só para vender, para ganhar Dinheiro sem nada produzir.

Reconheço. Esta observação não nos traz nada de novo, mas tem que ser repetida muitas  vezes!

A verdadeira DIGNIDADE, aquela que cada um exerce e pratica com  transparência e orgulho pessoal, é sempre, e antes de tudo, uma afirmação de cidadania. Uma afirmação de LIBERDADE.

É sempre um combate ao egoísmo, uma demonstração da natureza social de pessoa e  do reconhecimento  que cada pessoa é  elo duma cadeia que, por sua vez é outro elo de  conjuntos mais abrangentes,     em círculos cada vez mais ilimitados, ultrapassando muros e fronteiras de todas as naturezas.

Ser DIGNO, TER DIGNIDADE; REQUER A CAPACIDADE E A CORAGEM DE SE INDIGNAR ! Com as indignidades dos outros e, em primeiro lugar, com as  próprias.

As indignidades não podem ter Pátria, aconteçam onde acontecerem, serão sempre indignidades de quem as comete..

Por exemplo:

– Continuaremos a ser cidadãos dignos, se não nos indignarmos publicamente e em  alto e em bom som, contra  a indignidade colectiva deste nosso governo que, abusando de uma delegação democrática legítima,a usa para, em nome de Portugal, contrariar a vontade democrática dum povo amigo e os nossos próprios interesses.?

A DIGNIDADE,será sempre a penúltima coisa a desprender-se do HOMEM!

Depois de a perder, nenhum outro valor,fôrça,ou razão, restará aos Homens para se assumirem como seres Humanos.

Ser cidadão sem dignidade é uma impossibilidade!

Uma  impossibilidade absoluta. Não se aplica apenas ao exercício da cidadania. Para que um ser seja reconhecido socialmente pelo que é, e não pelo que tem, só o será, se for digno.

Se a Sociedade em que se  vive tiver uma atitude submissa perante uma governação repressiva e de desrespeito pelos direitos humanos, pela LIBERDADE , essa imagem de submissão e falta de dignidade  tenderá a ser difusamente aplicada a toda essa sociedade  maculando-lhes  individualmente  a imagem da sua  dignidade de cidadãos.

 

É difícil pretender que todos cumpram os seus deveres de cidadãos, por exemplo,    pagando voluntariamente os seus impostos, quando os conhecidos roubos dos dinheiros públicos e a corrupção mais ou menos generalizada, minam a confiança do povo na sua boa gestão.

É a qualidade da DEMOCRACIA em que se vive, que favorece ou dificulta. o exercício da cidadania e o exercício pleno da Liberdade.

Esta a razão, para não confundir as coisas. Á Democracia o que é da Democracia, ao Capitalismo o que é do Capitalismo.

Se a verdadeira raiz da situação crítica em que o Mundo se encontra      se deve às dificuldades dos Humanos em encontrarem, até hoje, as formas correctas de viver juntos e em Paz no mesmo planeta; (talvez a utopia das utopias)   essas dificuldades tornaram-se quase intransponíveis,pela perversão que nelas introduzem as regras e a ambição desumana do pensamento capitalista.

S.E.F.

São Esperança Ferreira, Moura, Março 2015

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