Vento Suão anima 2º Fórum Liberdade e Pensamento Crítico

Tal como na primeira edição deste evento, o grupo alentejano VENTO SUÃO vai animar o 2º Fórum Liberdade e Pensamento Crítico. Tocando e cantando entre as sessões de debates e também animando o almoço de confraternização que se realizará no Liceu Camões, dia 9 de novembro próximo. Música regional de qualidade e um genuíno espírito de convívio estão garantidos com a sua atuação.
Bem vindo, Vento Suão!!!

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Associação abril e o 2º Fórum Liberdade e Pensamento Crítico

Associação abril

(…) É preciso criar nos homens e nas mulheres a convicção de que o único valor que realmente possuem em si próprios é a sua liberdade. (…) a liberdade de consciência como fundamento da democracia supõe, numa sociedade como a nossa, a educação para a liberdade.(…) a educação para a liberdade é fundamental para que a democracia assente não em palavras vagas mas em cidadãos capazes de serem os sujeitos morais da sua própria história.

Maria de Lourdes Pintasilgo

A abril – Associação regional para a democracia e o desenvolvimento – foi criada em Maio de 1986. Os seus Estatutos apontam como objeto de sua atividade a promoção do desenvolvimento social e da cidadania. É uma agremiação de cariz político-cultural e defende o exercício da democracia participativa a par da representativa, no caminho para a democratização plena da sociedade.

Entre as suas atividades contam-se predominantemente o debate esclarecedor e de intervenção em matérias relevantes no contexto de cada momento, tanto em áreas políticas e económicas, como sociais e culturais, tendo sempre como pano de fundo o exercício da liberdade. Persegue por isso, em todas as suas iniciativas, a promoção de um desenvolvimento social solidário, bem como a defesa do meio ambiente e dos valores culturais e patrimoniais que emanam da comunidade.

Uma das principais preocupações da Associação ABRIL é a de debater e partilhar os valores que defende com os mais jovens, no âmbito do seu compromisso com a promoção e desenvolvimento do pensamento crítico.

Neste contexto, se enquadra a sua participação e colaboração no Fórum Liberdade e Pensamento crítico, tanto na sua 1ª edição, como na 2ª, que ocorrerá no dia 9 de Novembro.

A Associação Abril tem como patrona Maria de Lourdes Pintasilgo (MLP), a primeira mulher que em Portugal exerceu o cargo de Primeiro Ministro e também a primeira mulher a candidatar-se à Presidência da República. Maria de Lourdes Pintasilgo no seu programa político defendeu como ninguém o exercício da democracia participativa, exortando os cidadãos para o gesto ativo e para o compromisso, tendo como base os pilares que definem os Fóruns: a liberdade e o pensamento crítico.

A Associação Abril, por sua vez, tem desenvolvido as suas actividades dentro desta concepção programática, com as devidas adaptações, fazendo uma espécie de radiografia do tempo e da sociedade que nos rodeia, no sentido de levantar questões que possam ser levados a debate, o mais possível esclarecedor, de modo a facilitar e induzir à ação.

No livro que MLP coordenou para as Nações Unidas, sob o título Cuidar o Futuro, de 1998, reúne, sem peias e de uma forma directa, medidas radicais para responder aos desafios que se colocam a todas as nações ricas e pobres, em relação às crises humanas, económicas e ecológicas que atravessam o mundo. Estas medidas poderiam muito bem ser objecto de reflexão de um próximo Fórum, de tal modo se identificam com as premissas e objectivos que levaram à organização do Fórum Liberdade e Pensamento Crítico, como por exemplo:

· Fazer da Qualidade de Vida de todos os seres humanos o objectivo último da ação social e política, nacional e internacional;

· Tomar a realização dos Direitos Humanos universais como metas precisas da Qualidade de Vida de todas as sociedades e estabelecer calendários para satisfação dos direitos à educação, à saúde, ao trabalho, ao descanso, a um ambiente e a uma ecologia que garanta a sobrevivência humana hoje e no futuro;

· Promover os direitos específicos das mulheres enquanto direitos humanos fundamentais e garantir, assim, a base indispensável à estabilização da população mundial;

· Rejeitar o domínio de um mercado cego que toma os seres humanos como descartáveis e contribuir para as parcerias indispensáveis a um novo contrato social;

· Mobilizar os recursos financeiros necessários a nível mundial, através de uma taxa sobre as transacções internacionais de capital, de modo a garantir eficazmente a Qualidade de Vida para toda a população do planeta.

A participação da associação abril no Fórum foi a vontade de tentar construir algo de valor, em conjunto com outras organizações. Para nós, trabalhar em conjunto, em rede, é desde logo um exercício de pensamento crítico a que nos sujeitamos perante os outros e, simultaneamente, nos obrigamos, muitas vezes com dificuldade, a mergulhar no mundo dos outros e a aceitar as suas perspectivas, dentro do conceito maior de liberdade.

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Maria Guadalupe Magalhães Portelinha

Então, o nosso objectivo primordial, é tentar semear horizontes para a construção de um futuro digno para todos. Só reflectindo sobre o presente se pode construir o futuro. E para construir o futuro é preciso, antes de mais, cuidá-lo. E cuidar com ternura, como ensinou MLP. São a ternura e o cuidado que criam um universo de excelências, de significações existenciais, daquilo que vale e ganha importância, em função do qual se pode sacrificar o tempo, o empenho, e, às vezes, até a vida. Até Che Guevara assumiu este contrato de vida com a ternura, dizendo que ”é preciso enrijecer, sem nunca perder a ternura”.

A raiz da nossa crise cultural, económica e social é uma aterradora falta de cuidado e ternura de uns para com os outros, de todos para com a Natureza e portanto para com o nosso próprio futuro.

Deve-se entender e dar importância à ligação entre ideias e ação, na certeza de que não deveria haver cortes entre economia e política, entre meios e fins, entre eficiência e equidade, entre métodos e valores, procurando associar a tudo isto o rigor, a democracia, nomeadamente a democracia participativa. É necessário pugnar por ir ao encontro de uma maior participação da opinião pública, de ouvir a voz dos cidadãos, de despertar consciências, educar para a cidadania, desenvolver o pensamento crítico, para que as pessoas se dêem conta de que ninguém pode pensar por elas, de que elas têm que ser donos das suas ideias, do seu destino, da sua própria história.

“Navegar é preciso…”

É preciso reclamar o desassossego, o bulir com ideias feitas, prosseguir na necessidade de agir, mesmo com a palavra, mudar a vida, mudando de vida. É preciso indignar-se com a injustiça, defender uma ética de futuro, de ter o pensamento nas vítimas da História, organizar a intervenção cívica, na senda da democracia cultural. É preciso reagir contra a perversão do liberalismo e neoliberalismo que vão matando a humanidade existente nos seres humanos. É preciso almejar um pacto de futuro e esperança entre os povos, entre as religiões, preservar a memória. É preciso ouvir e respeitar a Terra, a “Pacha Mama”, tão ameaçada pela ganância e pela ignorância. É preciso colocar a mulher no lugar digno e ativo dentro da sociedade, pois ser mulher é ter um papel ativo na construção de um mundo novo, é “alargar as fronteiras do possível”.

“É preciso lembrar que todas as conquistas conseguidas ao longo do séc. XX são fruto, não de uma benesse da “economia de mercado”, mas das lutas dos povos que a economia de mercado utilizou apenas como mão-de-obra necessária à criação de mais-valia, essa sim, não partilhada nem democratizada”(1). É preciso considerar que o mundo é a casa de todos nós e que ninguém tem o direito de colocar muros, arame farpado à volta de uma casa. É preciso indignação para que ninguém continue a morrer nas águas dos oceanos, nos caminhos da procura de uma vida de paz; ninguém pode morrer às mãos da “masculinidade tóxica”; ninguém pode morrer com balas perdidas. É preciso reflectir sobre o papel não só da Utopia mas também da Distopia nas nossas vidas, nas culturas, na política, na organização dos países, no funcionamento do mundo. É preciso defender a Liberdade como vivência, como um momento de consciência. É preciso cruzar linguagens, pontos de vista, ideias, ideais, construir pontes, abrir caminhos entre a urgência da ação e a serenidade da reflexão. É preciso “arrancar alegria ao futuro”, almejando algumas utopias… Queremos que o futuro tenha um presente.

É preciso ousar, inovar, lutar, resistir pois “nunca ninguém levantou voo que não fosse contra o vento”.

É preciso ouvir o conselho de Leonard Boff:”ensina teus passos /o caminho dos sonhos/vives o tempo da coragem/a música do risco/ o tempo te desafia clamando.”

Baseamos esta reflexão em premissas que assentam na certeza de que a partilha de conhecimento, da informação e de experiências é um meio eficaz para o enriquecimento pessoal e social das comunidades e dos povos. Para nosso enriquecimento também. Para além disso, a sua promoção e valorização contribuem para a multiplicação e difusão dos valores fundadores da nossa cultura, baseada na liberdade, equidade e fraternidade. Vamos, pois, agora e sempre defender o pensamento na ação, o pensamento crítico. A liberdade.

Maria Guadalupe Magalhães Portelinha

( Presidente da Associação abril)

(1) Mário Moutinho, numa sessão promovida pela abril denominada “Violência com todos os nomes: a Pobreza”, na SPA.

AVISO IMPORTANTE!

AVISO AOS PARTICIPANTES DO 2º FÓRUM LIBERDADE E PENSAMENTO CRÍTICO

Dado o volume de manifestações de interesse de participação no 2º FÓRUM “LIBERDADE E PENSAMENTO CRÍTICO”, informamos que APENAS AS PRIMEIRAS 180 INSCRIÇÕES SOLIDÁRIAS DÃO DIREITO A SENHA DE ALMOÇO, BILHETE DE ENTRADA NO AUDITÓRIO PARA O “ABRAÇO NO PALCO” E RESERVA DA ENTREGA DA BROCHURA DE REGISTO do Fórum 2019, a ser publicada em 2020.

Senhas e bilhetes, entregues na receção do Liceu Camões, no dia 9 de novembro, serão devidamente numerados, de forma a garantir um controle rigoroso na entrada do Refeitório (almoço) e do Auditório (espetáculo).

As restantes, inscrições, simples e até gratuitas (como as dos jovens até 25 anos) darão direito a todos os eventos realizados nas diversas Salas e no Ginásio, constantes do Programa do 2º Fórum.

Aguardamos a vossa presença, com a certeza de que irão vivenciar um dia de grande comunhão de ideais democráticos.

A Comissão Organizadora

Casa da Língua Portuguesa e a Liberdade

A Casa da Língua Portuguesa tem como “missão” a aproximação das comunidades através da Arte, difundindo a Língua Portuguesa, como um caminho para a Evolução e a Paz.

Acreditamos que Arte é uma via de comunicação direta entre os seres, capaz de transcender as diferenças, sejam elas económicas, étnicas ou culturais. Acreditamos ainda, que sem liberdade, educação e cultura não há como evoluirmos.

“Pois toda felicidade não é mais, talvez, que felicidade de expressão.”
(Michel Foucault)

Sendo assim, é praticamente orgânico o apoio da Casa da Língua Portuguesa ao Fórum Liberdade e Pensamento Crítico; sobretudo no momento tão delicado em que vivemos, quando somos bombardeados diariamente com uma diversidade de informação que nos chega de forma super-rápida e nem sempre baseada em fatos reais.

O acesso facilitado à informação de nossos dias, supostamente deveria ser uma mais valia, no entanto, muitas vezes se verifica como fator de manipulação, como podemos constatar pela quantidade de “fake news”, famigerada ferramenta que a cada dia que passa interfere em decisões e gera consequências da maior importância e gravidade, alterando inclusive o rumo do “inconsciente coletivo”.

“Eu jamais iria para a fogueira por uma opinião minha, afinal, não tenho certeza alguma. Porém, eu iria pelo direito de ter e mudar de opinião, quantas vezes eu quisesse.”
(Friedrich Wilhelm Nietzsche)

O pensamento crítico é a habilidade de pensarmos por nós mesmos e de tomar decisões sobre em que acreditar e o que fazer de forma racional, confiável e responsável. Também é a habilidade de questionar ideias e opiniões nossas e de terceiros, de forma objetiva; descobrir em que fatos, suposições, crenças ou preconceito elas se baseiam; avaliar as fontes e as qualificações de quem opina; avaliar as consequências de adotar ou não tais ideias e opiniões.

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Denise Bernstein
Diretora executiva

Sem liberdade é impossível exercitar o pensamento crítico, que parte da premissa do questionamento. Pensar críticamente não é atacar pessoas ou opiniões, mas sim examinar de forma racional e objetiva ideias, opiniões e argumentos.

Pelo tudo que já se lutou para conquistar liberdades básicas, é preciso resistir e persistir de forma a preservar liberdades conquistadas com muita luta, e desta forma avançarmos no caminho da igualdade e da paz entre os homens.

“O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete.”
(Aristóteles)

Associação Mares Navegados e o Pensamento Crítico

A Associação Mares Navegados e o Fórum Liberdade e Pensamento Crítico

A apatia, o desânimo e a humilhação de grande parte da população portuguesa durante o longo período da ditadura do regime do Estado Novo deixaram a maioria das pessoas sem o direito a manter-se fiel a emoções nobres. O indivíduo era considerado pelo Estado como propriedade da Nação. Vários tipos de desacordo com o regime, o desacordo puritano e o libertino, o fundado numa crença ou o fundado no ceticismo…enfim, muitos portugueses, expulsos ou sentindo-se estrangeiros no seu país, partiram para o exílio. E fizeram do seu banimento um começo libertador.

Com a Revolução de Abril de 1974, a cidadania foi recuperada e muitos dos antigos exilados integraram-se ao país.

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Jacinto Rego de Almeida

A Associação Mares Navegados (AMN), organização da sociedade civil fundada em 2007, foi formada, em grande parte, por antigos exilados no Brasil, com a finalidade de acompanhar e promover política e culturalmente os países de língua oficial portuguesa.

Tendo em conta a complexidade do atual estado do mundo, a AMN associou-se desde o primeiro momento à ideia do seu associado e fundador Camilo Mortágua de se organizar o Fórum “Liberdade e Pensamento Crítico”. E empenhou-se através do intenso trabalho da maioria dos seus dirigentes na sua preparação e realização em 2018 e agora na preparação da 2ª edição, a realizar em novembro próximo.

A agenda política e social do mundo nos últimos anos tem-se alterado profundamente. Há uma perda de intensidade democrática em alguns dos mais destacados países do Ocidente, uma crescente perda de direitos dos trabalhadores é acompanhada da elevação da desigualdade da distribuição das riquezas no quadro da globalização, um crescente agravamento das migrações desordenadas à escala mundial, complexos desafios acompanham o desenvolvimento da implantação das novas tecnologias, nomeadamente no que concerne à informação e os problemas ambientais agravam-se ano a ano, pondo até em risco a vida no nosso planeta.

Assim, importantes e constantes novos desafios surgem associados uns aos outros, intercalando-se… uma nova Era parece estar a nascer. Enfim, o mundo dos nossos dias parece um novelo de lã a desfazer-se, uma orquestra a desafinar, um cortejo que se dispersa…

A AMN, com a experiência de vida política e social dos seus associados, espera contribuir para a mobilização de cidadãos, nomeadamente junto à juventude, e para a reflexão e divulgação das importantes questões que serão abordadas nos Fóruns que virão pela frente.

Pensar o mundo, a sociedade e a cidadania com Liberdade e pensamento crítico.

Jacinto Rego de Almeida

Presidente da Associação Mares Navegados